Por milênios, a destruição de Sodoma e Gomorra foi tratada como um mito moralizante ou uma alegoria religiosa. A narrativa de Gênesis 19, que descreve “fogo e enxofre” chovendo do céu e destruindo toda a planície, parecia exagerada demais para ser história real.
Mas uma investigação científica de 15 anos no sítio arqueológico de Tall el-Hammam (na atual Jordânia) mudou tudo. Um grupo de arqueólogos, geólogos e cientistas espaciais publicou um estudo bombástico na revista Nature Scientific Reports, apresentando provas físicas de que uma catástrofe térmica vinda do espaço realmente varreu aquela civilização do mapa há cerca de 3.600 anos.
O Mistério de Sodoma e Gomorra: Tijolos Derretidos
O que os escavadores encontraram nas ruínas de Tall el-Hammam não fazia sentido para uma guerra comum. Eles acharam fragmentos de cerâmica com a superfície externa derretida e transformada em vidro verde. Tijolos de barro, que normalmente são muito resistentes, estavam “cozidos” e borbulhados.
Análises de laboratório mostraram que esses materiais foram expostos a temperaturas superiores a 2.000°C em uma fração de segundo. Para se ter uma ideia, essa temperatura é quente o suficiente para derreter um automóvel moderno e é muito superior a qualquer tecnologia que o homem possuía na Idade do Bronze. Fogueiras, incêndios ou guerras não derretem tijolos dessa maneira. Só havia uma explicação possível.
Um “Airburst” Cósmico
A conclusão do estudo é assustadora: a cidade foi atingida por um Airburst Cósmico – a explosão de um meteoro ou cometa gélido na atmosfera, similar ao evento de Tunguska (Rússia, 1908), mas muito mais potente.
A rocha espacial não precisou nem tocar o chão. A onda de choque criada pela explosão no ar viajou a 1.200 km/h, demolindo os andares superiores do palácio de 4 andares e vaporizando soldados e civis instantaneamente. Além do calor extremo, o solo ficou saturado de sal (o que bate com a descrição bíblica da terra se tornando estéril), tornando a agricultura impossível na região por séculos.
O Sal da Terra: A Conexão com a Estátua de Ló
Outro detalhe fascinante que conecta a ciência à história de Sodoma e Gomorra é a salinidade. O estudo descobriu que a explosão espalhou uma camada tóxica de sal e sulfato pelo solo, tornando a agricultura impossível na região por mais de 600 anos.
Isso explica por que a área, antes fértil, foi abandonada por tanto tempo. E, claro, traz à mente a famosa passagem da mulher de Ló se transformando em uma “estátua de sal”. Embora a ciência não comprove a transmutação humana, a presença massiva de sal superaquecido e ejetado instantaneamente sobre quem estivesse por perto (encrustando corpos) é um cenário fisicamente plausível durante um evento de impacto dessa magnitude em Sodoma e Gomorra.
A Ciência Validando a Fé?
Essa não é a primeira vez que a geologia moderna encontra paralelos impressionantes com narrativas antigas. Recentemente, cientistas confirmaram a existência de um gigantesco oceano subterrâneo descrito em textos antigos escondido nas profundezas do manto terrestre, validando a ideia de reservatórios ocultos de água.
No caso de Sodoma e Gomorra, a correlação é ainda mais visual. O relato bíblico diz que o sol já havia nascido quando o desastre começou e que a fumaça da terra subia “como a fumaça de uma fornalha”. A descrição de um brilho cegante seguido de calor intenso e devastação total é exatamente o que uma testemunha ocular de um evento cósmico descreveria na época, sem ter o vocabulário da astronomia moderna.
Para quem quiser ler o artigo original completo com todos os dados técnicos (em inglês), ele está disponível gratuitamente no portal da Nature Scientific Reports.
O Legado de Sodoma e Gomorra na Ciência
A confirmação de que Sodoma e Gomorra foram destruídas por um impacto celeste coloca essas cidades numa lista seleta de sítios arqueológicos. O estudo de Tall el-Hammam é hoje a prova mais robusta de que civilizações humanas antigas testemunharam eventos de extinção em massa.
Cientistas de todo o mundo agora usam os dados coletados nas ruínas de Sodoma e Gomorra para entender como proteger nossas cidades modernas de ameaças similares de asteroides. O que antes era visto apenas como uma lição espiritual sobre moralidade, tornou-se um estudo de caso vital para a defesa planetária da NASA.
O Céu Caiu
Seja por intervenção divina ou por uma infeliz coincidência orbital, o fato é um só: a “cidade do pecado” realmente foi consumida por fogo vindo do céu. A cicatriz térmica deixada nas rochas da Jordânia é um lembrete de que, às vezes, a diferença entre lenda e história é apenas o tempo que levamos para encontrar as evidências.











