O Deserto Ganhou Vida: IA Descobre Centenas de Novas Linhas de Nazca Invisíveis ao Olho Humano

Durante décadas, arqueólogos caminharam sob o sol escaldante do Peru e sobrevoaram o deserto em pequenos aviões. Eles encontraram o Colibri, o Macaco e a Aranha. Mas, em 2025, a nova ferramenta de busca se chama linhas de nazca ia (Inteligência Artificial). Em uma colaboração histórica entre a Universidade de Yamagata (Japão) e a IBM, algoritmos de aprendizado profundo analisaram milhares de imagens de satélite e varreduras a laser da região desértica. O resultado foi um choque para a comunidade científica: a descoberta de centenas de novos geoglifos, que estavam “escondidos à vista de todos” há cerca de 2.000 anos.

O “Olho Digital” que Vê o Invisível

Como a ciência moderna deixou passar tantas figuras? A resposta está na sutileza, na erosão e, crucialmente, no tamanho.

As Linhas de Nazca originais são gigantescas (macro-geoglifos), feitas para serem vistas do céu e talvez com propósitos astronômicos. No entanto, as novas figuras descobertas pela linhas de nazca ia são:

  1. Menores e Tênues: Muitas têm apenas alguns metros de comprimento, feitas em terrenos inclinados e, por isso, muito mais desgastadas pelo escoamento da água e do vento.
  2. Cobertas por Sedimentos: A movimentação natural do solo e as pedras soltas ao longo de dois milênios suavizaram as bordas das linhas.

O olho humano tem dificuldade em distinguir essas formas sutis em meio ao “ruído” visual complexo do terreno pedregoso. A IA, porém, foi treinada para reconhecer padrões geométricos mínimos e assinaturas de cor e sombra que indicam a manipulação do solo. Segundo o relatório da Yamagata University, o algoritmo conseguiu identificar em poucos meses o que levaria décadas de trabalho de campo tradicional e cansativo.

Monstros, Facas e o Mistério da Cultura Paracas

As novas figuras são fascinantes e, por vezes, bizarras, levantando novas questões sobre a verdadeira função do deserto de Nazca.

Diferente dos animais clássicos e perfeitos pelos quais a cultura Nazca é conhecida, os novos desenhos incluem:

  • Figuras Humanoides: Vários geoglifos mostram seres humanoides segurando objetos que se assemelham a bastões, facas ou armas rituais.
  • Camelídeos Estranhos: Desenhos de lhamas ou alpacas, que sugerem uma função ligada à vida cotidiana ou a rituais de fertilidade.
  • Cenas Rituais: Algumas interpretações sugerem cenas que poderiam representar rituais de decapitação ou sacrifício, mudando nossa compreensão sobre a iconografia da região.

A importância cultural e histórica é imensa: os arqueólogos suspeitam que muitos desses geoglifos menores pertencem a um período anterior ao povo Nazca, provavelmente feitos pela cultura Paracas ou no período de transição entre Paracas e Nazca. Eles nos contam histórias de um povo que usava a paisagem não apenas como um calendário astronômico ou um painel religioso, mas como um quadro de avisos para rituais e mensagens sociais vistas por quem passava a pé pela região.

A Arqueologia do Futuro não Usa Pás

Esta descoberta é mais um reforço de uma tendência que está revolucionando a pesquisa histórica global. A arqueologia moderna trocou o chapéu de Indiana Jones pela tela do computador e o algoritmo de análise.

Vimos o mesmo avanço com a tecnologia LiDAR (Light Detection and Ranging), que permitiu a descoberta da “Atlântida” da Floresta Amazônica — onde cidades foram achadas sob as árvores sem a necessidade de escavação manual. A linhas de nazca ia está provando a mesma coisa.

A Arqueologia Espacial e a Inteligência Artificial não apenas aceleram o trabalho, mas o tornam possível em locais onde a escavação tradicional seria impraticável ou danosa. Com essas ferramentas, estamos percebendo que conhecemos muito pouco da nossa própria história e que civilizações inteiras podem estar esperando, ocultas pela vegetação ou pela erosão, para serem “lidas” por softwares avançados.

O deserto de Nazca, que parecia vazio e silencioso, na verdade está gritando histórias antigas e complexas. Só precisávamos aprender a olhar do jeito certo, através dos olhos de um algoritmo treinado.

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