A clonagem de pets surge como a última esperança para quem ama um animal de estimação e enfrenta o luto. A ideia de nunca mais ver aquele rabinho abanando é devastadora, mas a ciência transformou a ficção em realidade comercial.
O que antes era enredo de filmes de ficção científica ou privilégio de bilionários excêntricos se tornou um serviço comercial acessível — para quem pode pagar o preço de um carro de luxo. A clonagem de pets é uma realidade hoje, oferecendo a chance de ter um “gêmeo genético” do seu melhor amigo que partiu.
Não é Ficção: Barbra Streisand e a ViaGen
A clonagem de animais ganhou as manchetes quando a cantora Barbra Streisand revelou, em 2018, que havia clonado sua amada cadela, Samantha, não uma, mas duas vezes.
A empresa por trás desse feito é a ViaGen Pets, sediada no Texas (EUA), atualmente a líder mundial nesse mercado. Eles não prometem trazer seu animal de volta com as mesmas memórias — isso é impossível —, mas sim criar um novo animal com 100% do DNA original. É como se o seu pet tivesse um irmão gêmeo idêntico nascido anos depois.
O Preço da Saudade: Quanto Custa?
A tecnologia envolvida é complexa, e o preço reflete isso. Os valores da ViaGen podem variar, mas atualmente giram em torno de:
- Cães: US$ 50.000 (cerca de R$ 250.000).
- Gatos: US$ 35.000 (cerca de R$ 175.000).
Além disso, há uma corrida contra o tempo. Para que a clonagem seja possível, o dono precisa agir rápido. É necessário coletar uma biópsia de tecido do animal (geralmente da orelha ou barriga) enquanto ele ainda está vivo ou imediatamente após a morte, antes que o DNA se degrade. Esse tecido é então cultivado e congelado em nitrogênio líquido, um serviço de preservação que custa cerca de US$ 1.600 extras, mais taxas anuais de armazenamento.
Como Funciona (E o que Você Recebe)
O processo, chamado de Transferência Nuclear de Células Somáticas, é o mesmo usado para criar a ovelha Dolly em 1996.
- Eles pegam o núcleo de uma célula do seu pet (com o DNA).
- Inserem esse núcleo em um óvulo de doadora que teve seu próprio DNA removido.
- Um choque elétrico funde os dois, criando um embrião clonado.
- Esse embrião é implantado em uma “mãe de aluguel”, que dará à luz o filhote clonado.
O resultado é um animal fisicamente idêntico. No entanto, a ViaGen alerta: o temperamento pode ser diferente. O ambiente e a criação moldam a personalidade tanto quanto a genética. Seu clone terá o mesmo “hardware”, mas o “software” será novo.
A Mesma Tecnologia que Salva Espécies
É fascinante notar que o investimento milionário na clonagem comercial de pets acaba financiando a ciência como um todo. A empresa-mãe de algumas dessas iniciativas de biotecnologia é a mesma que está por trás de projetos de conservação em escala global.
A tecnologia refinada para clonar um gato doméstico é fundamentalmente a mesma que cientistas estão usando na tentativa ousada de ressuscitar o Dodo e reverter extinções causadas pelo homem. O que hoje serve para aplacar a saudade individual, amanhã pode ser a ferramenta que restaurará ecossistemas inteiros.
Conclusão: Vale a Pena?
A clonagem de pets levanta debates éticos profundos. Críticos argumentam que, com tantos animais em abrigos precisando de um lar, gastar uma fortuna para replicar um animal específico é um desperdício. Para os adeptos, porém, é a única forma de manter viva uma conexão única.
Seja como for, a ciência rompeu a barreira final. A pergunta agora não é mais “se” podemos trazer um animal de volta, mas sim o quanto estamos dispostos a pagar por isso.











